21 de mai de 2014

Refletindo sobre a submissão

A separação entre a realidade e a fantasia



Conhecendo as histórias de verdadeiras submissas sinto um acalento muito grande em meu coração. Vejo o fervor de sua entrega, o amor e a dedicação a seu Senhor, a devoção e a servidão acima de tudo e de todos, e concluo que tudo isto não é apenas como os versos de um poema que se escreve por admirar algo. É uma oração.

É muito diferente  quando nos colocamos abaixo da vida de alguém. Requer tenacidade e coragem para neutralizar a própria vontade, os próprios desejos e sentimentos por quem quer que seja, para fazer prevalecer o que sentimos pelo Dono. Esta vivência não se constrói do dia para noite, é algo que nasce conosco e, se genuíno, vai se desenvolvendo e se apurando, se aprimorando até se transformar em puro desprendimento de si mesma. 

Quando me descobri parte deste mundo a única coisa que vinha à minha cabeça eram as práticas. Ainda ignorava como seria na alma a entrega de uma submissa a seu Dono. Hoje, descubro que o BDSM vai muito além daquilo que imaginei viver e às vezes me pergunto: serei submissa? Serei masoquista? Onde me encaixo neste mundo de prazeres? 

Em um ano de BDSM, não sou e nem sei nada. A cada momento me descubro e me redescubro. A cada instante percebo em mim novos sentimentos e sensações que nunca senti, ou sequer imaginei possíveis de acontecer comigo. Ao escutar e ler os relatos das verdadeiras submissas (pois da mesma forma que existem os pseuDOMs, existem também as pseudoSUBs e em ambos os lados há pessoas falsas e aproveitadoras, pessoas que brincam com os sentimentos das outras), ao escutar essas mulheres que vivem o prazer na submissão, afirmo que são elas dignas do meu mais profundo respeito.

Não cabe fazer da submissão um cano de escape para frustrações vividas no cotidiano. Não cabe viver tudo isso como se fosse apenas um jogo. A submissa, por mais cuidados que receba do seu dono, viverá momentos que terá de cuidar de si mesma e dos próprios sentimentos, coisas que nem toda hora ao Dono deve mostrar, para não ser maçante.

Mas, não tem o Dominador que cuidar da sua sub? Realmente. E ele cuida. No entanto, será que esta submissa deverá revelar a ele todos seus anseios? Este é um dos inúmeros questionamentos que me faço, enquanto no meu mundinho fico a admirar as relações com suas belezas, seus brilhos, também com suas dificuldades, pois em todas as rosas, além da beleza e do perfume, existem também os espinhos. 

Assim  são as relações entre verdadeiros Dominadores e suas verdadeiras submissas. Não são fantasias, nem contos de fadas. São relações reais, com pessoas reais, com suas virtudes e defeitos, sujeitas a erros e acertos, tentando com honestidade e respeito, pois só assim podem se aproximar do ideal.

Vivi Escarlate
submissa, AL

9 comentários:

{Λїtą}_ŞT disse...

Oi vivi.

É muito reconfortante ler relatos como o seu. Porque, com seu pouco tempo de BDSM, conseguiu já chegar a conclusões preciosas, conclusões que muita gente que está há mais tempo não consegue ter consciência. E conclusões que vão ajudar outras pessoas recém-chegadas em seus conflitos e dúvidas.
Sim, nenhuma relação, por mais linda que pareça aos olhos dos outros, é um céu totalmente sem nuvens. E nos acusam de só mostrar o lado bom. Mas sempre digo que não temos que desvelar nossa intimidade para que outros conheçam todos os lados... cabe a cada um(a) ter bom senso de reconhecer isso, que tudo tem bônus e ônus. E vc tem esse bom senso... parabéns pela lucidez e que suas descobertas sejam cada dia mais reveladoras.

Beijos

Vivi Escarlate disse...

Obrigada Vita,

Cansei de ler coisa bonitas, e fiquei a pensar, nunca no contos de fandas se mostra e depois, do felizes para sempre, então alem de fotos de mulheres de joelhos que mostram na net, lindos poemas de submissão o que vêm, vi que tem mulheres fortes que resolverem se dedicar exclusivamente a vida, e prazer de um homem, então vi e vejo que a submissão e algo para ser vivido intensamente, sabendo que terá flores e espinhos, e não só esperando as flores.

beijos

Vivi Escarlate

Anônimo disse...

Vivi, minha querida
Adorei seu texto.
Sua visão é tão lúcida. Você diz ter um ano de bdsm, mas garanto que sua maturidade é maior do que de muitos veteranos.
Obrigada por compatilhar sua visão.
Beijos
Bia de Melbor

ternura disse...

Olá Vivi,

inquietações, dúvidas e auto-respostas. conclusões super pertinentes para uma vivência ciente, fadada a se tornar intensa e bem sucedida.

belo txto!!

bjs

escrava ulima disse...

oi Vivi,
eu, assim como vc, tenho pouco tempo de bdsm e penso muito parecido com vc. principalmente qdo disse q o Dono cuida da gente, mas precisamos cuidar de nossos sentimentos pra não sermos maçantes. Por isso acho importante trocarmos experiencias.

bjo
escrava úlima

HASSAN disse...

Mais uma vez parabéns a todas vcs que fazem deste espaço um lugar agradável onde se respira o ar da submissão.
Parabéns especiais à submissa que escreveu o texto acima e quem com sua pouca experiência, traduz melhor que muitas experientes este princípio.
Abraços a vcs e saudações aos Donos.

Hassan

Tássila disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vivi Escarlate disse...

Fico feliz que tenha conseguido transmitir bem, a mensagem do meu coração, e obrigada a cada um que leu o texto
beijo

luah negra_propriedade de DOM JH disse...

Vivi Escarlate ,
Muito boa a tua colocação.

Toda relação tem seus encantos e beleza , mas não se resume apenas a isso...
Pessoas são complexas e uma relação de D/s é de tamanha complexidade , que exige grande empenho , clareza e atenção de ambas as partes . Não basta ser bela , que ela seja também verdadeira e sempre mais próxima do ideal desejado.
Muito bom ler textos com essa clareza .
Beijos ,
luah_JH .