13 de abr de 2014

Uma escrava cômoda ao DONO


O post de hoje tem a intenção de ser lembrado muitas vezes por quem o ler. Tomara que gere reflexões, discussões, conclusões. Não pretendo com ele ditar normas de comportamento submisso, só busco uma coerência entre aquilo que penso e aquilo que faço. Achei bom publicar aqui meus pensamentos, porque pode ser que ajudem a alguém, como eu, na busca da excelência no servir.

Embora Oscar Wilde tenha dito: "A coerência é a virtude dos imbecis", busco sim a coerência, a conformidade (não confundam com conformismo, por favor), a congruência. Mesmo sem saber se por vezes a alcançarei, minha busca será constante, em todos os meus pensamentos e atos.


Vejam bem, minha intenção não é a de atingir a perfeição, está claro como água para mim que, como humana, a perfeição jamais será atingida. Mas, isto não seria motivo para relaxamento, preciso chegar o mais perto possível. Pretensiosa? Pode ser. Ninguém pode me censurar por querer progredir, crescer, melhorar. Senão ficará meio que “sem sentido” a vida. Estamos aqui para aprender e aplicar na prática o que aprendemos. Estamos aqui para aperfeiçoar, aprimorar.


O que provocou este texto foi uma conversa com uma amiga querida. Ela falava coisas como: "se sentir abandonada pelo Dono", "falta da atenção e falta de explicação por parte dele". Estas situações que TODAS NÓS passamos vez por outra e que DOEM MAIS DO QUE QUALQUER TORTURA FÍSICA.


Verdadeiras provas de fogo para quem serve, o abandono, a falta de atenção e de explicação, tiram uma escrava do seu eixo de equilibro e a desorientam. Como sempre digo e repito, que venham todas as dores físicas acompanhadas do olhar sádico daquele que tem os nossos serviços... estes momentos são de prazer para ambos. Mas, é na hora da ausência que se sabe quem verdadeiramente serve. É neste instante de prazer unilateral, de absolutamente nenhum prazer para quem se submete.


Talvez, (eu disse “talvez”) quem Domina, vendo sua sub torturada fisicamente a seus pés, pense: "Que orgulho eu sinto por possuir esta escrava!"


Não, Senhor, não é esta a hora de se orgulhar. A hora de se orgulhar é aquela que o Senhor se afasta para resolver seus problemas, suas dificuldades na vida, e sabe que a escrava estará lá sozinha a lhe esperar... serena, tranqüila, de alma leve, sem questionar e, o mais importante, sem sofrimentos. Porque se sofrer, acabará se tornando um fardo.


Não pensem que não sinto problemas com a ausência, que não questiono no mínimo pra mim mesma. Sou como qualquer outra, sou insegura e sou frágil, ainda não desprendida de mim mesma. A diferença é que jamais levo até meu DONO nada além dos meus sorrisos de submissão, amor e desejos. Posso dizer isto de alma aberta porque é ELE o primeiro a ler meus posts no blog e, honesto como é, não me permitiria dizer algo que não consigo praticar.


Mas, a minha amiga sub reclamava sobre falta de atenção e eu respondia à ela que é o viver nesta "corda-bamba" que significa servir, quando ela me disse algo que me deixou atônita, confesso:


_Amar, é muito cômodo pro seu Dono ter uma escrava como você. Quem não haveria de querer uma escrava assim? Até eu, que sou sub, queria ter.


Pronto. À primeira vista doeu. Veio como um soco forte no estômago. Doeu muito. Me senti um nada. Insignificante. Pobre coitada da Amar que é tão boba e tudo faz para que seu DONO se sinta feliz, sem esperar nada em troca. Esta foi a minha primeira e rápida reação. Mas, durou pouco.


Pode parecer loucura, mas assim que penso ou sinto algo negativo, minha mente corre em busca da "Dona Coerência". E fui direto ao dicionário, hábito que tenho desde criança, fascinada que sou pelas palavras e seu significado real.


Olhem o que encontrei, que fascinante:


Cômodo: adj (lat commodu) 1 Que oferece comodidade. 2 Adequado, próprio. 3 Que oferece facilidades. 4 Favorável. 5 Tranqüilo. sm 1 Aquilo que oferece comodidade. 2 Agasalho, hospitalidade. 3 Aposento de uma casa; quarto, alcova. 4 Pequena habitação.


Comodidade: sf (lat commoditate) 1 Qualidade do que é cômodo. 2 Aquilo que contribui para o bem-estar físico; conforto. 3 Oportunidade, ocasião favorável. 4 Meio fácil de fazer ou de usufruir alguma coisa. 5 Bem-estar, regalo.


Regalo: sm 1 Prazer, especialmente de mesa. 2 Iguaria apetitosa. 3 Gozo material. 4 Presente ou mimo com que se brinda alguém. 5 ant Agasalho, geralmente de peles, em que as senhoras usavam trazer as mãos, para as resguardar do frio. 6 Rede de braços no aparelho de arrastar.


Ao encontrar estas definições me apoiei no encosto da cadeira e perguntei a mim mesma sorrindo:

_Não foi para ser tudo isto aí que você se tornou uma escrava, Amar? Não é isto que te faz pulsar e latejar???

Eu quero ser cômoda ao meu DONO sim. Quero dar comodidade a ELE. E quero ser um regalo em sua vida. Quero a exata medida de lhe dar todos os prazeres. Não quero jamais pesar em seus ombros. Não quero que se sinta obrigado a me dar explicações. Não quero deixá-lO constrangido em momento algum.


Eu quero sim ser cômoda ao meu DONO, trabalharei firme para ser cada vez mais cômoda, porque é pra isto que existo e porque ELE merece.


Não sou baunilha com sonhos de submissão, muito menos escrava só durante sessões. Sou uma escrava em seu sentido mais puro e real.


Só me resta agora agradecer à minha amiga que provocou minhas indagações, fazendo com que eu chegasse ao sorriso que ostento neste instante.



Obrigada, Amiga!


AmarYasmine


a escrava encantada do



SENHOR DIABLO




Senhor Dominador,

O próximo post é direcionado ao Senhor, 
que escolheu estar do lado 
daqueles que empunham o chicote.

Antes, porém, 
vamos fazer-lhe duas perguntas:

1)Então o Senhor quer ter uma escrava submissa?

e

2) Está preparado para uma entrega na totalidade? 

Se suas respostas forem positivas, Senhor,
não deixe de ler o próximo post
dia 16/04/2014
às 20h
aqui mesmo no

*escravas & submissas*

7 comentários:

Luiisa Nude disse...

Como não apreciar cada palavra de Amar?

A submissão é indagar-se SIM sobre o que somos perante ao Dono, é pensar se estamos sendo comodas e servis aquele a quem esperamos fielmente durante horas, dias e muitas vezes meses.
Sei bem como é isso, mas como escravas/submissas decidimos assumir o papel de esperar que Ele nos faça ser quem somos da forma como quer.
Quantas vezes não me pergunto: Será que estou cumprindo minha função perfeitamente?
Paro e penso que sim, ao aguardar sua presença, suas ordens, o peso de Seu olhar e de suas mãos sinto-me a mais bela das submissas, a escolha Dele para estar aos Seus pés.

Nada mais tenho a dizer sobre o que ja foi dito acima, apenas ler e reler, sentindo profundamente cada palavra como um toque, um aprendizado constante.

ternura disse...

Ahhhh....Amar a menina das mil palavras sábias....

bem, é uma repostagem e como tal....na época , ainda travestida de mil roupagem baunilha eu não pitaquei seu txto...na verdade nem se quer entendi o contexto...

o tempo passou e hj...travestida por 500 roupagens baunilhas e outras 500 submissas...entendo que:

que eu seja, para meu pretenso Dono, uma cômoda linda, bem espaçosa para Ele me usar ao seu gosto, em qqer hora e qqer lugar...

enquanto eu O espero...serei altiva de minha condição, super orgulhosa de ser a sua escolhida, resignada com meu uso e prá lá de honrada em ser Dele...

obrigada por mais um ensinamento...obrigada por partilhar sua sabedoria, seu despojamento submisso. e assim me fazer entender, mesmo chorando lágrimas de sangue, que tenho responsabilidades para com a escolha que fiz....porque Ele merece!!!

sem mais, deixo-t bjs emocionados


HASSAN disse...

Belo texto, Amar.
Faz sua submissão ser uma dádiva intensamente desejada.
Afagos, menina

{Λїtą}_ŞT disse...

Este texto já me deu alento em momentos difíceis, eu o procurava para me ajudar a lembrar meu lugar, minha função, meu ofício como vc costuma dizer.
Não há muito a comentar, só posso concordar com sr Hassan que uma submissão assim deve ser realmente muito desejada por qualquer senhor e é isso que devemos almejar ofertar a nossos Donos, para isso somos escravas... ou poderíamos ser qualquer outra coisa.
Deixo registrada tb a minha admiração pela beleza desse texto principalmente em um momento de tanta confusão como o que estamos vivendo.


Beijos

Anônimo disse...

Este texto caiu na minha tela do Fet e acabei vindo parar aqui...

Que bacana poder ler essas palavras!

A minha visão do BDSM sempre foi esta, que o meu papel de submissa é ser cômoda ao Dono, é deixa-lo leve e livre de preocupações quando está comigo.

Infelizmente, o "pensar" nem sempre anda junto do "agir". Somos humanas, e as vezes, nos pegam em momentos que tb não estamos bem, e junto, vem toda aquela gama de emoções a nos afligir. Acabamos enfiando os pés pelas mãos...rs*

Logo me pego pensando: O que estou fazendo? Eu sei o meu papel aqui.

A vida baunilha já nos traz tantas lutas diárias, que não precisamos fazer da nossa vida aqui uma luta tb.

Lógicoooo que falar é fácil...rs*.
O difícil é não cair nessa armadilha. E nada como um texto assim para nos fazer relembrar, quando estivermos em um mau momento.

Obrigada por resgata-lo e dividir conosco.

Beijos

Rebeca

*escravas e submissas* disse...

Minhas lindas amigas Luiisa Nude, Ternura, {Vita}_ST, Rebeca!

Saibam que parte da minha inspiração vem de vocês. Do amor que sentem, da entrega silenciosa de cada uma, do desejo que sentem da submissão plena e da deerminação que isto exige.
Por isso, só posso agradecer a cada uma e desejar que prossigam neste caminho tortuoso e lindo, de perfume e espinhos de rosas.
Beijos doces!

Amar Yasmine

*escravas e submissas* disse...

Caro Senhor Hassan, sempre gentil e cavalheiro!

Agradeço cada palavra sua e o carinho de sempre. É meu desejo que o Senhor esteja sempre bem e feliz!

Abraço respeitoso, Senhor Hassan!

Amar Yasmine