1 de abr de 2014

Irmãs de coleira - A arte da convivência


Uma submissa está entrando em uma senzala 
onde já existe outra sub há algum tempo. 


O que deverá acontecer daqui pra frente?


Dez anos de BDSM e posso me considerar uma escrava afortunada. Tive relações intensas, que me ensinaram muito e contribuíram tanto para meu desenvolvimento como submissa, quanto para meu crescimento pessoal. Terminaram porque tudo tem começo, meio e fim, nada é eterno. Mas foram calcadas no respeito, na confiança e na ética. A prova disso são os laços de afeto que prosseguiram.


Seria hipócrita se dissesse aqui que não gostei de ser presenteada com exclusividade em algumas dessas relações. Gostei, claro, como toda submissa gosta. Me senti honrada em minha entrega e servidão. Mas, sempre recebi de alma, coração e braços abertos as irmãs de coleira que tive. Foi um privilégio o convívio sereno e delicado durante a relação. Maior privilégio ainda os sentimentos que tiveram continuidade após findarem as relações.


Estou certa que a postura do Dono é de suma importância. Em suas mãos está a responsabilidade pelo clima de harmonia, ou de competitividade. Já presenciei Dominadores que fazem questão de atiçar suas submissas umas contra as outras, a fim de assistir crises de ciúmes entre elas... Mas, quem sou eu para censurar. 


No entanto, a responsabilidade não está apenas nas mãos do Dominador. As submissas, tanto a que chega quanto a que já está, têm de ser éticas acima de tudo. É fundamental uma postura de carinho e despojamento entre ambas.


Se uma deve ser aconchegante para que a outra não se sinta invasora ou "fora de lugar". A que chega, por sua vez deve ter além de tudo: tato, delicadeza, respeito para com os sentimentos ali já existentes e desenvolvidos ao longo do tempo da relação. 


Boa vontade e o bom senso deverão reinar entre as duas, para que juntas trabalhem em paz, focadas no objetivo comum de ampliar a obediência, a quebra de barreiras, a expansão de limites, a entrega e a submissão ao Dono. 


Se a ética não estiver presente, haverá competitividade (coisa feia de pessoas inseguras). Aí, por maior que sejam os cuidados do Dono, os conflitos acontecerão. 

A irmã que recebe uma nova deve segurar a língua e não exibir as palavras bonitas que escuta do Dono, os mimos que já recebeu, muito menos descrever o prazer que ele tem ao tortura-la. Evitar expor a relação, cuidar para que a outra não sofra e inveje. Somos seres humanos, não podemos nos esquecer disso em momento algum. Infelizmente, nossos sentimentos muitas vezes ainda são pequenos, como a inveja e o despeito. 

Assim também, a nova irmã deve se abster de contar os jogos de sedução em que foi envolvida para ali estar. Já vi submissas que estão chegando fazerem grande alarde sobre os momentos da conquista. Ora, sabemos que tem mais ciúmes quem já está na relação. Erroneamente, tanto quem chega, quanto quem já está, pensa que se o Dono buscou a outra submissa deverá ser por estar se sentindo insatisfeito. Ledo engano... No mundo SM, ou no baunilha, ter mais de uma mulher ao mesmo tempo povoa o imaginário dos homens. Então, já que é assim, para que despertar a insegurança? Qual é o benefício que há em ser feliz sobre a infelicidade da outra? 


Será sempre muito útil que uma se coloque no lugar da outra para evitar confrontos. O que não queremos para nós, não devemos dar a ninguém. Também, deixar lá fora as vaidades e o orgulho, os dois são desnecessários numa senzala.


Por fim, com todo este cuidado, com toda esta delicadeza, o presente será um dia ouvir do Dono: Sou um Homem realizado e feliz, tenho escravas que se respeitam, se amam e tudo fazem para o meu prazer.



Texto escrito e publicado

na Comunidade


"Confraria das Cadelas"


Orkut/2009


por


AmarYasmine
a escrava encantada do
SENHOR DIABLO

19 comentários:

{Λїtą}_ŞT disse...

Lindo esse seu texto, será sempre atual por ser esse um assunto muito polêmico.
Acredito firmemente que sim, o terror que toda submissa tem a respeito de ter irmã vem dessa ideia de que o Dono já perdeu o interesse por ela... esquecemo-nos que essa ideia de ter duas (ou mais) mulheres é, segundo pesquisas e estudos, a maior fantasia dos homens...e que eles em um meio onde as relações raramente são monogâmicas e onde e detém o poder, dado pelas próprias submissas, a possibilidade de realizar tal fantasia é grande.
Mas, seria perfeito se cada um pensasse e se colocasse no lugar do outro da forma como vc diz. O que acontece realmente é o contrário de tudo que vc citou.
Donos que não se importam com o que está acontecendo entre as duas, que fecham os olhos para a competição acirrada, os ciúmes, a inveja e a provocações veladas, outros provocam esse ciúme como vc disse. As recém chegadas que já chegam com a ideia de "derrubar" (ouvi muito essa palavra) a sub que já estava, contando com o status de ser "carne nova", com a atenção que recebem e confundem tb com falta de interesse do Dono pela mais antiga.
As mais antigas que armam situações para que a outra erre e a relação não vingue, etc.
Minhas experiências foram poucas e breves, não tenho muito a dizer sobre mas as atitudes que vejo hj em dia, com raras exceções, me levam a ter um certo receio sobre o assunto.
Sinto isso como uma involução no meu processo de crescimento enquanto escrava submissa e que vem daquilo que observo por aí mas só existe realmente uma chance de funcionar, se uns se importarem com os outros como vc disse.
Mas é tão mais fácil olhar apenas para o próprio umbigo... e assim seguimos, vendo muita alegria no palco e choro e ranger de dentes na coxia.
Parabéns por este texto iluminado. Vai deixar muita gente emocionada pois até a forma como o ilustrou é muito tocante.

Beijos, amada

djuls disse...

Adorava ter assim uma escrava infelizmente a minha parceira sexual nao entende o meu desejo de dominar enfim sinto falta disso

Noelle SubVersiva disse...

Realmente é um assunto delicado, eu nunca fui muito adapta a irmãs de coleira e sempre deixei mto claro já no início da relação.... quem me conhece sabe que sou clara e mto objetiva. Porém, de tanto se insistir tentei, foi mto frustrante e aconteceu tudo o que a {Λїtą}_ŞT falou... parece que lia minha história, mas eu costumo dizer que prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo, sei que me empenhei como pude... e tive aprendizado no que NÃO fazer se fosse eu a nova escrava... Hj tenho uma irmã que gosto mto... nos damos bem... nos respeitamos e nos protegemos... considera minha relação plena... e acredito que podrmos superar qualquer coisa juntos, ela me recebeu de braços abertos e eu a quis em minha vida... e pretendo sempre nutrir nossa relação com mto amor e carinho, assim Nosso Dono tem a paz e o prazer que deseja. Ele rega nossa relação com respeito... Não precisamos competir... apenas agregar e dar à Ele todo prazer que podemos oferecer juntas.

ternura disse...

Nosssa que emoção...foi, exatamente, este o texto que fiz meu primeiro contato com vc @Amar.....não sei se recorda, mas vc o postou em seu antigo blog, já em 2010...

Na época eu tinha acabado de adentrar numa R/relação pré-existente. R/relação que não vingou muito tempo.

Exatamente pela minha imaturidade de canil e pelo descuidado por parte Dominante em conduzir as duas servas....

Porém, foi por meio deste texto que eu , humildemente e muito orgulhosa de minha postura...pedi desculpas á 'irmã' mais velha de casa e me retratei publicamente por ter publicado os momentos de minha conquista...

Hoje em dia, procuro não adentrar em R/relações já estabelecidas. Não tive uma boa impressão de minhas vivencias nesse quesito.

Não descarto a possibilidade e se acontecer de adentrar num canil, me empenharei com todas as minhas forças para que seja uma R/relação de paz, calmaria, agregação, respeito mútuo e muito prazer para o Dom...sobretudo, se Ele souber Comandar o canil.

emocionada e, uma vez mais, agradecida pelos oportunos ensinamentos...*pisc

bjs de carinhos

Anônimo disse...

Amar,
Seu texto é o retrato do que deveria ser.
Na minha curta estrada no BDSM, já tive irmãs de coleiras ótimas, sendo que uma delas é minha amiga pessoal e irmã de coração mesmo depois da relação terminada.
Também já tive irmãs de coleira que foram um pesadelo, cada uma a seu modo.
É relativamente fácil quando as irmãs tem o mesmo conceito de submissão; quando elas, por assim dizer, vêm da "mesma escola". Acho que nesse caso, os conflitos podem ser mais individuais do que coletivos e então uma submissa poderá contribuir com a evolução da outra durante o servir, unindo a casa como um todo.
Mas se, por outro lado, as submissas tem conceitos de submissão diferentes, torna o que já é difícil em praticamente impossível, porque a dominação molda, aprimora, direciona o que já existe. Não há condução capaz de mudar a essência; ela pode conter, mas não mudar.
Quando eu tenho irmã de coleira, eu me entrego de verdade porque não vejo sentido em viver uma situação já pensando no dia que ela vai acabar.
Adorei ler seu texto.
Bjinhos.
bia de MELBOR

luara disse...

Olá , Amar !
Tema sempre atual e complexo , muito bem observado em seus diversos ângulos .

Bom , minha experiência com irmã de coleira é mínima , não passou da introdução da dinâmica de um canil e , mesmo assim , pude perceber algumas dessas intrigas citadas .
O que mais me chamou a atenção nas tentativas de trazer uma terceira pessoa para a relação foi a falta de comprometimento , o conhecido discurso 'sou submissa , sim , mas só até aonde for interessante pra mim' .
E o que observei de mais importante , para a experiência ter sido positiva , foi a forma como o Dono conduziu a situação . Eu esperava que meu desconforto seria bem maior , e graças a boa condução Dele , foi bem tranquilo .
Ser naturalmente pouco ciumenta e saber que o Dono , mesmo não tendo o dever de me informar , não precisa esconder seus passos ajuda a amenizar o desconforto .

Acredito que a dificuldade estaria em ter que conviver com uma pessoa indesejada , em simplesmente ter que engoli-la mesmo que não desça na garganta . Aí entra a questão de quem escolhe a irmã , se é o Dono , a sub ou A/ambos em comum acordo .
Sendo observado todos os cuidados e contando com a boa vontade de todos os membros , a convivência em família pode ser enriquecedora , sim .
Querendo ou não , sempre há uma terceira , quarta , quinta pessoa envolvida , então não se trata de aceitar , mas sim de administrar bem a situação .
Muito bom seu texto , Amar !

luara.

Amar Yasmine disse...

miVitAmada!<

Lembro perfeitamente quando pedi à Nina que nos apresentasse. Eu ía a seu blog e admirava aquela bela morena com uma consciência tão forte sobre submissão.

Aí, começamos a conviver e a trocar experiências sobre tão polêmico assunto: "A Irmã de Coleira". Aquela que a gente nem mesmo quer, mas acaba desejando pela força da submissão e da entrega, pelo amor e prazer do Dono.

Somos muito privilegiadas, miVita, em poder vivenciar este extremo de despojamento e humildade.
Beijos, minha amada amiga de todas as horas!

Amar Yasmine

Amar Yasmine disse...

Caro Senhor Djuls!

Agradecemos a honra de sua visita e contamos que volte sempre.

Quem sabe se o Senhor trouxer para perto de nós a sua escrava, poderemos ajudá-la de alguma forma a romper esta barreira?

Por favor, transmita-lhe nosso carinho e o convite para que participe deste blog, que é um espaço aerto para todas expressarem sua paixão em servir.
Abraço respeitoso, Senhor!

Amar Yasmine

Amar Yasmine disse...

Noelle, vc é aquela doce menina de olhos verdes que conheci em São Paulo, em 2000, filha da minha amada amiga Selena?

Se for, bem-vinda, é uma alegria sem tamanho reve-la. Abraços saudosos para vc e sua mãe.

Se não for, seja bem-vinda também e sinta-se abraçada da mesma forma.

Pois é, como vc disse Noelle, não é a nossa preferência ter uma irmã de coleira, mas com o carinho, e a boa direção do Dono, acabamos vivendo esta experiência tão rica no BDSM, como a aprendemos também para uma possível vida baunilha.

Venha participar aqui com seus textos, será um grande prazer.
Se for a filha da Selena, só posso te dizer que teve um bom exemplo de servidão plena.
Abraço muito carinhoso!

Amar Yasmine

Amar Yasmine disse...

linda ternura minha!

O tempo passa rápido, não? Foi outro dia mesmo que nos conhecemos.

O tempo passa tão rápido que devemos vive-lo intensamente.
Pena que nem todos têm o privilégio das experiências deliciosas que o BDSM nos proporciona.

Somos privilegiadas e devemos sempre ser agradecidas à vida por tudo que vivemos de bom.
Beijos, miTernurAmada!

Amar Yasmine

Amar Yasmine disse...

Linda menina Bia de Melbor!

Penso exatamente como vc. E acho até que a gente reproduz no BDSM aquilo que vivemos fora dele. Muito da compreensão do convívio com uma irmã de coleira vem do convivio com os amigos, do respeito e da consideração que temos com as pessoas que nos cercam além das fronteiras do BDSM.

Acredito na boa condução do Dono, como fator fundamental, mas concordo também com vc quando diz que nada se pode fazer quando a natureza da pessoa... ela fala mais forte sim.. É que nem a fábula "O Escorpião e a Rã", não é?

Menina, estou adorando vc aqui junto conosco. Não se afaste de forma alguma. Por favor, agregue novas participações para o blog.
Beijos admirados!

Amar Yasmine

Amar Yasmine disse...

Querida Xará luara!

Você pontuou perfeitamente, é exatamente o que disse.
O Dono escolhe e, na minha opinião isto corre pelo DNA masculino, nós aceitamos.

Se vai dar certo ou não depende muito da condução. As experiências que tive foram todas muito boas e eu trago na minha lembrança tempos de muita doçura.

Mas, eu sei que nem todo Dominador tem a paciência que isto exige. Convenhamos, nós, mulheres, não somos seres de fácil compreensão (já dizia a escritora Adélia Prado.. rs), né?

Beijos, doce submissa!

Amar Yasmine

Noelle SubVersiva disse...

Amar minha linda, sou eu sim... mãe manda mil beijos pra vc... pois é minha amiga, vc sabe que nunca fui o tipo boazinha né, e pra me dobrar precisa de paciência extrema e mto pulso firme... enfim hj posso dizer que sou realmente uma escrava... sou inteira... e sou feliz... tenho uma irmã maravilhosa que me recebeu de braços abertos e nos gostamos demais... o que faço penso nela... e ela me presentei com um cuidado e carinho que nunca tive... nos completamos... mas precisei de um longo caminho doloroso, o que me fez aprender o que não quero... meu gênio continua o mesmo hahahahaahahaha, subversiva, atrevida, bocuda como sempre... mas me entregando 110% pois não consigo ser diferente.... sempre 8 ou 800... hahahahahaha... beijos e te espero aqui em SP pra matar tanta saudade... o carinho que te tenho nem o tempo apagou... te adoro

Amar Yasmine disse...

Noelle querida!

Estou feliz, muito feliz mesmo pelo nosso reencontro, também com a sua participação aqui. Venha e traga um texto seu para ser publicado aqui, Noelle.

Este blog tem alguns objetivos. Entre eles, agrupar os adeptos que praticam SM em seu verdadeiro sentido. É assim que te vejo, é assim o exemplo de submissão que vc teve da sua mãe, minha amiga Selena, que adoro e respeito como submissa ímpar.

Beijo muito carinhoso em vcs!

Amar Yasmine

Anônimo disse...

Amar, seus textos são muito enriquecedores, mas esse é especialmente importante e esclarecedor, pois o tema é realmente muito polêmico e delicado. Me lembrarei sempre das suas palavras e da belíssima ilustração que deu ao texto. Você é um exemplo de submissa para mim.

um beijo carinhoso
Kel

Noelle SubVersiva disse...

Amar, minha estimada e querida Amar, eu acho que não conseguiria colocar temas tão interessantes quanto temos aqui, por isso estou apenas saboreando, mas assim que surgir alguma ideia prometo te falar pra postarmos... um beijo mto carinhoso em teu coração.

Noelle SubVersiva disse...

Amar, minha estimada e querida Amar, eu acho que não conseguiria colocar temas tão interessantes quanto temos aqui, por isso estou apenas saboreando, mas assim que surgir alguma ideia prometo te falar pra postarmos... um beijo mto carinhoso em teu coração.

Pandora Dragomir Slave disse...

Dissertação muito linda e inspiradora. É exatamente o que penso! Tenho uma irmã de coleira, mas não tenho contato com ela,embora confesso que gostaria de ter mais. Eu sou a segunda e não tenho problema com isso. Fico feliz por poder complementar o prazer do meu Dono e saber que está satisfeito conosco. É esse sempre o meu objetivo e que infelizmente mts subs egoisticamente esquecem, o prazer completo do Dono.

Anônimo disse...

São tantos os relatos... Eu ainda não tive nenhuma experiência como sub, estou conversando com um Dom que tem um canil com outras subs. Me ajudem! Gostaria de ser uma boa irmã de coleira...