9 de abr de 2014

A marca mais bela é a marca da alma


Todos os dias vemos textos e fotos publicadas nas redes sociais ligadas ao BDSM sobre marcas e superação, sobre a entrega e a devoção; declarações das aclamadas  "submissas de alma" (conhecidas como aquelas cuja entrega é tamanha que suportam além de seus limites) sobre como "apanham" e aceitam determinadas práticas em nome de sua devoção e amor ao Dono, mas pouco, pouquíssimo se fala da superação real.
Quando falo sobre superação real, me refiro às submissas que nunca pensaram em sentir dor, jamais quiseram para si a dor física, que nunca almejaram apanhar de verdade e sentirem dores que vão além de um mero desconforto físico, aquelas que recebem mais de uma prática ao mesmo tempo. São aquelas submissas que quebraram seus próprios tabus e ultrapassaram barreiras às quais nem elas mesmas sabiam existir.
Essas submissas não são festejadas em fotos e textos porque não perdem tempo exibindo suas conquistas, elas se fecham no silêncio de sua alma e se aconchegam no carinho de seus Donos para compreender e agregar à suas almas inquietas todas as beleza da superação que conseguiu vencer limites.
Falando por mim, mas acredito que seja o caso de muitas, iniciei do zero, sem nenhuma  tolerância à dor; restrições de movimento era um limite rígido, claustrofobia um medo inenarrável, sendo que o simples pensamento de usar algemas gerava calafrios, porém a necessidade do Dono juntou-se ao meu orgulho em Lhe pertencer, à minha própria vontade de experimentar e viver, e comecei a assimilar as diversas práticas que colocavam em prova minha entrega em níveis que me davam medo e que por vezes, até hoje me apavoram, mas a confiança no meu Senhor e a confiança em mim mesma me revelou uma Mhya que nunca pensei conhecer, uma mulher desejosa em satisfazer seus anseios profundos. 
Não nego que fiquei encantada com essa nova mulher que brotou dentro de mim e a abracei, porque descobri o prazer na dor, nos extremos, no desespero perante uma situação de "saturação" de emoções onde preciso brincar com os níveis de dor espalhados pelas áreas diversas do corpo de forma que uma alivie a outra permitindo me oferecer mais de mim ao meu Senhor e aumentando o prazer de ambos.
Hoje, posso dizer sem sombra de dúvidas que apanho não mais pensando no prazer exclusivo do Dono, esse prazer também vibra em mim; é minha droga e  meu alívio, que permite que meu Liege possa brincar ainda mais com esta sua peça, tendo a convicção de que o faz também para o meu próprio prazer latente, libertando-o da responsabilidade de que suporto a prática somente por Ele, permitindo-lhe fazer do meu corpo  tela em branco para sua arte e que independente de marcas visíveis, a marca mais importante já ficou na essência desta serva.

Mhya_Steel
escrava, SP

5 comentários:

Sandra Freya disse...

Que lindo, Mhya!! Espero que todas que iniciam essa caminhada possam ler e refletir sobre a real entrega. Sobre o respeito ao Dono e à si mesma, sobre a satisfação em pertencer e o orgulhe em fazê-lo com prazer. Saiba que sou sua fã de carteirinha!! Um dia chego lá!! Bjs

Perséfone Core disse...

Muito bom!!!

Melhor coisa que há, é isso...chegar de mansinho, se deixando levar pelas sensações. Não chegando querendo (ou não querendo), impondo (!!! O que considero estranho em uma dita 'submissa'), mas apenas sentindo, se entregando - não de 'alma inconsequente', mas apenas consciente das várias etapas que pode vivenciar.

Sem pressa...deixando a realidade entrar.

Isso aí!

Ahhh, antes que eu me esqueça, a trilha sonora daqui, não me deixa sair do espaço!!! Fico escutando, enquanto faço minhas coisas na net, kkkkkk.

Beijos!
{perséfone core}_DC

Mhya Steel disse...

Obrigada meninas, conversando com minha querida Bia de Melbor sobre esse monte de textos e declarações e exigências e pretensões de "subs" que vemos por ai, que se Dominador tem que merecer ou eu quero isto ou aquilo, em fim....me fe pensar em mim, em como cheguei, como fui passando por diferentes fases e de onde e até onde quero chegar.

{Λїtą}_ŞT disse...

Então Mhya, seu texto me é muito emocionante pq lembra a mim mesma, há tantos anos atrás, chegando sem saber de nada, trazida lá do meu mundinho baunilha por um Dominador, sem ter a mínima ideia do que fosse o BDSM e muito menos ainda de ter que lidar com a dor, conflitos, superações mas foi uma transição tranquila pq me deixei levar, eu me encontrei naquele momento com algo que já buscava mesmo sem ter a menor ideia do que seria.
E essa transformação, essa que vc diz, nos torna seres humanos melhores, o crescimento é na vida em geral, a compreensão de nós mesmas e do outro, a capacidade de lidar com as emoções e sentimentos e de se doar.
Muito tocante seu texto, desejo muitas alegrias e prazeres sem fim a vc e seu Dono e que vc participe muito desse lugarzinho nosso.

Beijos

Anônimo disse...

Querida Mhya,
Quando li seu texto fiquei feliz demais.
Feliz por reconhecer nas suas palavras a recompensa da dedicação.
Feliz por saber que ainda existem submissas reais.
Feliz por reconhecer na sua história um pouco de cada uma de nós.
Feliz por você e por seu Senhor, pessoas que admiro e que também fazem parte da minha vida.
Nossa tarefa é árdua, nosso caminho por vezes contém espinhos, mas todos os ventos ruins passam e dão lugar às brisas frescas e leves, porque obstáculos existem para serem vencidos, ultrapassados e para dar mais brilho às vitórias.
Beijos com todo meu carinho.
bia de MELBOR